CJI 2: B-TEAM É A EQUIPE CAMPEÃ EM EDIÇÃO MARCADA POR POLÊMICAS NAS REGRAS

Victor Hugo brilhou nas finais com duas vitórias por estrangulamento; Helena Crevar mais uma vez fez história no auge de seus 18 anos
B-Team vence a disputa por times do CJI 2 e fica com o prêmio de um milhão de dólares.
B-Team vence a disputa por times do CJI 2 e fica com o prêmio de um milhão de dólares. Foto: @shadedblonde

A segunda edição do CJI, realizada nos dias 30 e 31 de agosto no Thomas & Mack Center, em Las Vegas, elevou o nível do grappling como espetáculo de entretenimento. No entanto, polêmicas com relação a resultados de luta multiplicaram comentários negativos sobre as regras sub-only do evento. 

Como o nome já diz, só havia vencedor declarado em lutas que terminassem em finalização. Do contrário, a luta tinha o empate como desfecho e ambos os lutadores eram eliminados da competição. Apesar disso, os árbitros do evento marcavam pontos dentro do sistema ‘10-point must’, popularizado no MMA e no Boxe. Em caso de empate, as papeletas dos juízes eram acionadas para declarar o time vencedor da rodada.

As equipes que avançaram para o segundo dia de competição foram a New Wave, Atos, B-Team e Australasia. A primeira rodada, entre New Wave e Atos, foi a que mais teve finalizações. Três desfechos por via rápida em seis confrontos. Quem levou a melhor na primeira semifinal foi a New Wave, graças às finalizações de Luke Griffith, que derrotou Diego ‘Pato’ no mata-leão e Giancarlo Bodoni, responsável pelo avanço do esquadrão de John Danaher depois de eliminar Ronaldo Júnior com uma chave de braço. Felipe Pena, lutando pela Atos, conseguiu pontuar depois de superar Griffith com um armlock. Contudo, o time ainda ficou atrás no placar no quesito finalizações.

O grande destaque da segunda rodada de semifinais foi Victor Hugo, que participou da competição como wildcard da B-Team. As únicas finalizações dessa parte do torneio foram assinadas por ele com katagatames precisos. O primeiro a cair na armadilha foi o compatriota Fabrício Andrey, atleta que sempre impressiona pela disposição para lutar de forma progressiva. Ganhando ou perdendo, ele sabe dar o esperado show. Belal Etiabari foi o segundo atleta a sucumbir no ‘Flow’ do ‘Big Man’. 

ictor Hugo garantiu prêmio robusto em dinheiro por duas finalizações no último dia do evento em Las Vegas.
Victor Hugo garantiu prêmio robusto em dinheiro por duas finalizações no último dia do evento em Las Vegas. Foto: @shadedblonde

É importante lembrar que, diante dos confrontos mornos da noite anterior, Craig Jones anunciou que todos os atletas que finalizassem os seus duelos receberiam um bônus adicional, e bem generoso, de 50 mil dólares. Victor Hugo soube tirar bom proveito da oportunidade — pelas finalizações, ele colocou 100 mil dólares no bolso. Mesmo prêmio cedido à campeã, Helena Crevar, no GP Feminino promovido pela segunda edição do CJI.

A última rodada de lutas, a final entre New Wave e B-Team, prosseguiu com todos os confrontos sem vitórias por via rápida, mas com duplas eliminações, e o critério de desempate estimulou mais uma onda de comentários discordantes. Na pontuação somada pelos árbitros, por incrível que pareça, foi registrado mais um empate — 47 a 47 para cada time. Diante disso, a organização precisou recorrer ao terceiro critério de desempate, que foi, de acordo com o announcer, o resultado da última luta da rodada, entre Nicky Rod e Luke Griffith. Nas papeletas, Nicky venceu por 10 a 8, resultado que cedeu o milhão de dólares à B-Team, time de Craig Jones. 

A polêmica não foi interrompida com o fim do torneio. Muito pelo contrário. Gordon Ryan, atleta mais célebre da New Wave, divulgou nas redes sociais fotos de trechos que seriam dos contratos do CJI com os atletas convocados. No texto, o critério de desempate seria o maior número de vitórias por decisão, e não o acúmulo superior de pontos por time nas papeletas. Por fim, Craig Jones anunciou que a equipe vice-campeã, a New Wave, também receberia o prêmio de um milhão de dólares*. Gordon, não satisfeito, chegou a exigir a reversão do resultado final.

*Após a publicação desta matéria, Craig Jones anunciou via Instagram que a decisão de premiar a New Wave com o mesmo milhão de dólares da equipe primeira colocada, a B-Team, foi revogada depois de uma revisão, por parte do investidor, de todos os fatores presentes na disputa final da competição: comportamento dos árbitros, regras e critérios de desempate. De acordo com o post de Craig, não há erro a ser reparado e a B-Team é, oficialmente, a única equipe campeã do torneio.

HELENA CREVAR NASCEU PARA FAZER HISTÓRIA NO GRAPPLING; FAIXA-PRETA DE 18 ANOS VENCEU O GP FEMININO NO CJI 2

Helena é uma máquina de quebrar recordes e no CJI 2 não foi diferente. No primeiro dia de torneio, a faixa-preta de John Danaher eliminou da competição Adele Fornarino por decisão. Atleta que não tem somente mais experiência, mas ostenta um ouro duplo do último mundial do ADCC. As regras do GP feminino também eram sub-only, mas os pontos contabilizados pelos juízes declaravam a vencedora depois dos cinco rounds de cinco minutos, caso não houvesse finalização.

Helena Crevar eliminou Adele Fornarino na semifinal e venceu Sarah Galvão na final do GP No Gi, por finalização.
Helena Crevar eliminou Adele Fornarino na semifinal e venceu Sarah Galvão na final do GP No Gi, por finalização. Foto: @shadedblonde

Na final, Helena Crevar enfrentou Sarah Galvão, que também impressionou ao vencer Ana Carolina Vieira, multicampeã extremamente tarimbada, na decisão dos juízes no primeiro dia. Contra Helena, foi fenômeno contra fenômeno. Uma luta das duas no No Gi já foi alvo de muita expectativa na comunidade de fãs. No kimono, a dupla já colidiu, mas no grappling o potencial explosivo das duas era maior.

A guarda de Helena é flexível de forma quase extraordinária, e Sarah até conseguiu administrar bem o combate por cima até o terceiro round. Bastou uma brecha para que Helena achasse o caminho da finalização no pé no terceiro round. Com o triunfo, a norte-americana se tornou a campeã mais jovem do CJI, na primeira chave feminina do evento, a sair da competição com uma quantia que equivale a mais de 500 mil reais.

Na superluta da noite, com a entrada relâmpago de Chael Sonnen depois da desistência do campeão olímpico de wrestling, Gable Steveson, Craig Jones venceu o ex-atleta do UFC com um Buggy Choke apertado, que colocou o oponente para ‘dormir’ antes dos três tapinhas em apenas 30 segundos de luta. O mais interessante é que o veterano ganhou uma segunda chance, mas a finalização voltou igual, com o mesmo ‘apagão’ por parte de Sonnen, com pouco mais de um minuto desta vez.

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