
Conseguir um lugar ao sol como atleta de Jiu-Jitsu, dentro de uma competição promovida pelo UFC, é uma oportunidade de guinada na carreira. Foi o que aconteceu com Maria Carolina Joia, faixa-marrom da modalidade, representante da Atos e campeã do Mundial e do Pan-Americano de kimono, torneios que compõem o Grand Slam da IBJJF.
A competidora de 25 anos de idade, natural do Rio de Janeiro, está escalada para lutar no primeiro card do UFC BJJ 1, evento que sucede os oito episódios do reality show UFC BJJ: Road to the Title, exibido gratuitamente no YouTube. Maria Carolina vai enfrentar Bella Mir no card preliminar da edição, nas lutas que antecedem os três duelos principais do UFC BJJ 1. Um desses confrontos já estava confirmado antes mesmo do episódio piloto — será entre Mikey Musumeci e Rerisson Gabriel, técnicos no reality. Os finalistas do programa, Danilo Moreira vs. Carlos Henrique (peso leve) e Andrew Tackett vs. Andy Varela (peso meio-médio), se enfrentam também no UFC BJJ 1. Na ocasião, serão definidos os primeiros campeões de Jiu-Jitsu na história do UFC. O evento está agendado para o dia 25 de junho, em Las Vegas.
Maria Carolina, além de levar com seriedade a carreira de atleta, tem também um currículo acadêmico notável. Formada em Educação Física pela UERJ (Universidade do Estado do Rio de Janeiro), a atleta também investe tempo no mestrado, pela mesma instituição, em Ciências do Exercício e do Esporte. O gosto pela luta já tem uns bons anos, desde quando ela acompanhava o UFC em casa.
“Eu comecei a treinar por volta dos 16 anos, entrei no Muay Thai primeiro e tive vontade de treinar outras modalidades por influência do UFC. Eu assistia na televisão e comecei a querer competir no MMA também. Por conta disso, comecei a praticar Jiu-Jitsu.”, explicou Joia, que hoje se dedica integralmente à Arte Suave.
DIANTE DA CHANCE DE LUTAR JIU-JITSU NO UFC, MARIA CAROLINA JOIA ACEITOU PRONTAMENTE O DESAFIO: “GRANDE PASSO RUMO À PROFISSIONALIZAÇÃO”
Quando o convite para o UFC BJJ chegou, por meio do empresário Samir Chantre, Maria Carolina estava treinando no QG da Atos de André Galvão, em San Diego, nos Estados Unidos.
“Eu tinha acabado de vir de uma temporada de kimono, lutei nos principais campeonatos, Pan-Americano, Brasileiro e Mundial. É uma oportunidade de evolução como atleta, como profissional. O UFC é o maior evento de lutas que existe no mundo. Ter a oportunidade de fazer parte do primeiro card do UFC BJJ, a nova plataforma da companhia para o grappling, foi uma oportunidade única, estou dando o meu melhor em tudo que posso.”, destacou.

CONJUNTO DE REGRAS DO UFC PARA O GRAPPLING PRIORIZA AÇÃO E O ENTRETENIMENTO PARA O PÚBLICO EM GERAL
Familiarizada com o ambiente competitivo, o que inclui as exigências das modalidades com e sem kimono, além da variedade de regras, a atleta brasileira salienta que o UFC BJJ apresenta um novo formato, uma nova possibilidade de entretenimento, com três rounds de cinco minutos e ação ininterrupta. Quem está acompanhando o reality show já conferiu a inovação na área de luta. Não há paredes que restringem o espaço, como em um cage tradicional. As extremidades são côncavas e estimulam a luta sem restrições.
“Estamos caminhando para um formato de esporte-espetáculo, muito mais vendável, muito mais empolgante para quem assiste, e isso demanda a nossa evolução enquanto atleta. Temos que lutar para o público que quer ver ação, quer ver finalização. É para isso que estou treinando.”, afirmou.
A proposta do UFC para desenvolver o potencial de entretenimento promete revolucionar. Uma intenção que fica bem evidente até na escolha dos atletas que vão fazer parte do projeto. A faixa-marrom da Atos, selecionada para o card inaugural do evento, faz uma análise interessante sobre esse aspecto. Para ela, a mesclagem de diferentes estilos de luta agarrada, colocados à prova no grappling, valoriza o elemento surpresa durante os embates.
“Uma coisa que eu acho muito interessante, nos eventos do UFC de grappling, é que eles sempre buscam colocar atletas com backgrounds diferentes, tem uma galera do wrestling, do No Gi, do Jiu-Jitsu, como eu. Então, acho muito interessante observar como esses estilos confrontam e como isso deixa tudo mais atrativo para o público. O fato do formato ser três rounds de cinco minutos, buscando sempre a finalização, sem interromper a luta, dentro de um cenário completamente diferente, faz com que as lutas sejam muito mais empolgantes.”, descreveu.

A campeã mundial de Jiu-Jitsu terá pela frente um confronto com Bella Mir, atleta invicta de MMA, com acervo robusto no Wrestling, além de possuir títulos relevantes no Jiu-Jitsu lutando na IBJJF. Maria Carolina tem feito o trabalho de casa e já identificou similaridades no jogo de ambas. A brasileira está confiante, com preparação direcionada para a adversária e faminta para deixar a sua marca em um evento com peso histórico.
“A minha adversária é oriunda do Wrestling, acho que ela até já foi da seleção americana, também luta MMA. Então, acho que vai ser bem legal essa colisão de estilos. Eu já assisti umas lutas de Jiu-Jitsu dela, no No Gi, ela tem um jogo de quedas e de passagem na pressão muito bom, parecido com o meu, vai ser bom de assistir. Tenho certeza que vamos lutar para frente, o tempo todo. Vai ser uma luta dura, mas eu não esperava nada de diferente. Vão ser duas campeãs mundiais, em suas modalidades, se enfrentando dentro do palco do UFC.”, reforçou.


