
Melqui Galvão fez uma reflexão sobre a banalização de títulos mundiais de Jiu-Jitsu, uma questão que, de acordo com ele, vem acontecendo de forma recorrente por todas as federações. “Campeão mundial juvenil, campeão mundial adulto faixa-azul, roxa, marrom… No fim das contas temos dezenas de ‘campeões mundiais’ no mesmo evento. Isso tira o peso e a grandeza de quem realmente conquistou o mais alto nível.”, disse Melqui em texto publicado no Instagram.
A postagem de Melqui foi motivada pelo anúncio do Campeonato Mundial Amador do ADCC, programado para setembro do ano que vem, na Polônia. Uma iniciativa aprovada e parabenizada por ele. Para o treinador, o título de campeão mundial deveria ser uma exclusividade de quem já está de fato no alto rendimento, que seriam os atletas profissionais, faixas-pretas, da divisão dos adultos. Para ilustrar melhor o raciocínio, ele cita a categorização de títulos mundiais que acontece no Judô e no Wrestling.
“No Judô, o campeão mundial é apenas o adulto faixa-preta. Já os mais novos disputam o Mundial Júnior ou Sub-18, com títulos bem definidos, mas que nunca se confundem com o adulto. No Wrestling acontece o mesmo: existe o World Champion adulto e os jovens que competem nos Junior Worlds ou Cadet Worlds, sempre com nomes claros para não banalizar o título máximo.”, exemplificou.
PARA MELQUI, NÃO FAZ SENTIDO RECOMPENSAR, DA MESMA FORMA, O ATLETA DE ELITE E O COMPETIDOR ABAIXO DA FAIXA-PRETA
A preservação desse conceito de ‘título máximo’ é, de acordo com o pai e treinador de Mica Galvão, importante para dar mais sentido à conquista de um atleta profissional que se sacrifica em um nível mais elevado para chegar ao topo. Melqui ressalta que não está desmerecendo as medalhas de ouro dos faixas coloridas ou dos atletas do juvenil, ele apenas diz que está expondo a necessidade de uma especificação clara e bem definida — quem ainda está trilhando o caminho merece uma recompensa que não pode se igualar à glória de quem faz parte da elite do esporte.
“O título máximo tem que ser preservado, porque se todo mundo é campeão mundial, no fim das contas, ninguém é.”, ressaltou.

Outro ponto destacado por Melqui Galvão diz respeito à exclusividade da apresentação de lutas no evento. Para ele, os atletas do adulto, na faixa-preta, deveriam contar com um dia de competição unicamente dedicado a eles, sem mesclar com disputas de outras faixas e divisões de idade.
“Os campeões precisam de um palco diferente. O profissional tem que ter o seu dia, separado, exclusivo. O dia do mundial adulto faixa-preta não é dia de misturar com outras faixas nem com outras idades. Esse é o dia da elite do esporte e precisa ser tratado como tal.”, argumentou.
A iniciativa do ADCC, de separar amadores e profissionais, vai de encontro com o formato do Mundial de Jiu-Jitsu da IBJJF, por exemplo, que coloca no cronograma outras disputas, no mesmo dia, junto com a decisão dos faixas-pretas que atuam profissionalmente. A diferenciação, neste caso, fica por conta da paralisação do restante do campeonato e consequente inatividade nos tatames laterais, com uma mudança específica de iluminação do ginásio, com apoio de imagens no telão, para que o foco seja todo direcionado para as finais do faixa-preta adulto, masculino e feminino.


